terça-feira, 15 de agosto de 2017

Para o P.

Presenciei dezenas de partos
Mas sei pouco sobre a vida
Pra descrever a emoção
De ver o início dela

Testemunhei corações parando
Mas nada sei dos mistérios
Pra tentar decifrar
Em que momento se deixa de existir

Eu estive com você
E só sei que amei
E que sou muito pouco poeta
Pra falar de tamanha felicidade

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Indomável

Disse a Lei que o céu é pros anjos
Ousou o homem amar
Disse a Lei que a alma é eterna
Ousou o homem se apaixonar

Como castigo, a Lei lhe pesou as pernas
Enrodilhou, cravou ao chão
Quis a Lei que o homem se conformasse
Desandou a escrever poesias

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Tempo

Não aja como se tivesse todo o tempo do mundo
Nem como se ele não cobrasse o resultado das suas escolhas

Não dedique o seu tempo a más presenças
Mas se dê a chance de ser surpreendido após uma primeira (talvez falsa) má impressão

Administre o seu tempo entre as suas prioridades
E lembre-se que certas oportunidades são únicas: o tempo é o de agora, ou nunca mais

Enquanto há vida, há tempo
Enfeite-o belamente
Use-o sabiamente
Ele não volta atrás

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Para o E.

Um dia, os seus olhos se cansarão da procura. Quando você fechá-los, é o meu rosto o que verá.
Um dia, você enjoará de tanto chão. Tanto barulho, tanta amplidão. É entre os meus braços que se encontrará.
Um dia, esgotado pelo esforço, satisfeito ou não com o resultado, de propósito ou por acidente, a semente brotará.
Um dia, você deitará ao meu lado e pedirá para, daquela vez, ficar.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Sobre o Amor

Há um preço para o amor
Não existe amor sem cuidar
Há um custo para amar
Há um tanto a se doar

Vem com um quê de desassossego
Um movimento
Uma viravolta
Um medo

Tira e dá
Saca e põe
Solta, abraça
Destrói, recompõe

É manter-se único enquanto quer
Ocupar dois lugares
É paz alternando com inferno
Prazer, pressa e pesares

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A. & A.

Tão parecidos
Mas tão parecidos
Que um fez
O que a outra tentou evitar
(Estragou tudo)


segunda-feira, 31 de julho de 2017

Tristeza

A tristeza é uma nata branca, espessa camada boiando sobre tudo. Ou talvez o açúcar do fundo, que teimou em manter o que está acima amargo.
É o corpo que pesa quando se tenta boiar. É o vento que leva o que devia ficar.
A memória que há muito devia ter sido apagada. A frase maldita que não se devia dizer. Ou ouvir. Ou ler.
É o desperdício. A perda do viço. O avesso da vida.
A tristeza é a casca ser arrancada antes do tempo. O golpe desferido de propósito. A lição que não se queria aprender.
A tradução do sofrimento. A lágrima. O lamento.
Tudo muito triste.